segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Terminais de Contentores - Dimensão e Investimentos


Quando estive na Administração do porto de Lisboa, em 2004, desenvolvi um modelo sobre as características e custos que envolvem a construção de um terminal de contentores moderno. Este modelo “bastante simplificado” foi elaborado com base na informação que fui recolhendo ao longo do tempo junto de vários estudos sobre o assunto.

Resumi num único desenho as dimensões ideais para comprimento de muro de cais, áreas de terrapleno e áreas de actividade logística. Identifiquei também os equipamentos necessários para a movimentação das cargas, a profundidade ideal das acessibilidades marítimas e os valores de referência para os respectivos investimentos.

Cada módulo – que podemos designar de “unidade base teórica”, tem uma área de aproximada de 12,5 ha, e um cais com 350 ml de comprimento, tem uma capacidade para movimentar cerca de 250.00 TEUS desde que esteja equipado com um mínimo de 3 pórticos de cais, 6 pórticos de parque e 25 “yard tractors”. Representa um investimento total de cerca de 50 milhões de euros.




Refira-se que em Portugal, a opção pelo modelo de “landlord port” deu origem a concessões portuárias onde o investimento total foi repartido entre o Estado e os diferentes concessionários. Regra geral, ao Estado coube investir na infra-estrutura (acessibilidades, muro cais e terraplenos) e aos agentes privados nos equipamentos e na mão-de-obra. Foi assim para os terminais de contentores de Lisboa (Santa Apolónia e Alcântara), de Leixões, e de Setúbal.

Defendi num “post” anterior sobre política portuária que os modelos para as novas concessões portuárias deveriam ser preferencialmente de “concepção, construção e exploração de actividade”. Trata-se de assegurar que num ciclo económico particularmente difícil sejam os investidores privados a suportar a totalidade dos investimentos na construção do terminal (infra-estrutura, equipamentos e mão-de-obra) cabendo ao Estado continuar a garantir a existência de boas acessibilidades marítimas, ferroviárias e rodoviárias.



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Nota Final : O Dr. Vítor Caldeirinha faz referencia a este e a outros modelos no seu último livro publicado sobre gestão portuária intitulado “gestão portuária II” cuja leitura não posso deixar de recomendar.
http://www.cargoedicoes.pt/site/Default.aspx?tabid=398&bookId=100


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