quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Apostar nos Portos

O Plano Estratégico de Transportes deste Governo tem como base, pela primeira vez desde o 25 de Abril, uma estratégia clara voltada para o Mar e para os Portos.

Como referiu Oliveira Martins, Portugal está em 8º lugar a nível mundial no que respeita às estradas, mas apenas em 47º lugar no que respeita à competitividade dos seus portos (WEF Global Competitiveness Report 2010-11).
Esta questão não é alheia à crise que atravessamos.

Se é importante termos estradas, mesmo que sejam pouco usadas, muito mais importante é termos ligações marítimas modernas e competitivas nos nossos portos para podermos exportar as nossas mercadorias e receber as matérias-primas de que necessitamos para produzir e exportar.

Cada euro investido nos portos, que são grandes pólos de desenvolvimento, é reproduzido dezenas de vezes nos seus efeitos na economia, como o comprovam a nossa realidade e a realidade internacional em todo o lado.
A aposta do investimento público já devia ter sido orientada há mais tempo não só para o Mar, mas em especial para as nossas ligações a países fora da União Europeia, em especial os países da CPLP, Angola, Cabo Verde, Brasil, entre outros.

Não é só a aposta no Mar, mas é em especial a aposta no além-Mar, onde só podemos chegar se o atravessarmos e tivermos portos modernos que possam ser escalados pelos navios intercontinentais mais eficientes.

Não temos portos competitivos como têm outros países, o que não ajuda o desenvolvimento do País.  Temos portos ainda antiquados comparativamente a outros países, mesmo a Marrocos.

Nos portos cada euro reproduz-se efectivamente, desde que seja gasto apenas quando é necessário e quando as capacidades se aproximam do esgotamento. Também não vale a pena ter portos vazios.

A aposta nos portos e no investimento de modernização das suas infra-estruturas é fundamental para termos ligações também mais económicas à Europa, onde é mais barato e, ambientalmente e economicamente, mais sustentável chegar por Mar que por via terrestre.

O mar não precisa de massivos investimentos nas vias, mas apenas de pequenos investimentos pontuais em locais chave, que são os portos. A via depois é gratuita, por ora, e os meios de transporte são privados, não representando encargo para o Estado.

Vitor Caldeirinha

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