Como referiu Oliveira Martins, Portugal está em 8º lugar a nível mundial no que respeita às
estradas, mas apenas em 47º lugar no que respeita à competitividade dos seus
portos (WEF Global Competitiveness Report 2010-11).
Esta questão não é alheia à crise que atravessamos.
Esta questão não é alheia à crise que atravessamos.
Se é importante termos estradas, mesmo que sejam pouco usadas, muito
mais importante é termos ligações marítimas modernas e competitivas nos nossos
portos para podermos exportar as nossas mercadorias e receber as
matérias-primas de que necessitamos para produzir e exportar.
Cada euro investido nos portos, que são grandes pólos de
desenvolvimento, é reproduzido dezenas de vezes nos seus efeitos na economia,
como o comprovam a nossa realidade e a realidade internacional em todo o lado.
A aposta do investimento público já devia ter sido orientada
há mais tempo não só para o Mar, mas em especial para as nossas ligações a países fora da União Europeia, em especial os países da CPLP, Angola, Cabo
Verde, Brasil, entre outros.
Não é só a aposta no Mar, mas é em especial a aposta no além-Mar, onde só podemos chegar se o atravessarmos e tivermos portos modernos que
possam ser escalados pelos navios intercontinentais mais eficientes.
Não temos portos competitivos como têm outros países, o que
não ajuda o desenvolvimento do País. Temos portos ainda antiquados
comparativamente a outros países, mesmo a Marrocos.
Nos portos cada euro reproduz-se efectivamente, desde que
seja gasto apenas quando é necessário e quando as capacidades se aproximam do
esgotamento. Também não vale a pena ter portos vazios.
A aposta nos portos e no investimento de modernização das
suas infra-estruturas é fundamental para termos ligações também mais económicas
à Europa, onde é mais barato e, ambientalmente e economicamente, mais sustentável
chegar por Mar que por via terrestre.
O mar não precisa de massivos investimentos nas vias, mas apenas de pequenos investimentos pontuais em locais chave, que são os portos. A via depois é gratuita, por ora, e os meios de transporte são privados, não representando encargo para o Estado.
O mar não precisa de massivos investimentos nas vias, mas apenas de pequenos investimentos pontuais em locais chave, que são os portos. A via depois é gratuita, por ora, e os meios de transporte são privados, não representando encargo para o Estado.
Vitor Caldeirinha